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Introdução

O mundo moderno cada vez mais depende de software para a realização de inúmeras atividades do cotidiano. A tecnologia, se desenvolvida corretamente, tem potencial para facilitar a vida de um número enorme de pessoas, das mais diversas origens e capacidades. Nesse contexto, a acessibilidade é um critério que tem se tornado cada vez mais relevante. No entanto, grande parte da Web, dos aplicativos de celular e programas de computador modernos ainda apresenta problemas de acessibilidade, que dificultam ou imposibilitam o uso por um grande número de usuários. Este apoio pretende reunir recursos e apresentar exemplos que possam auxiliar desenvolvedores a projetar interfaces mais acessíveis.

O que é Acesssibilidade?

No contexto desse apoio, o conceito de acessibilidade é relacionado ao uso de software por usuários com deficiências. Entende-se que sites, aplicativos e outros produtos de software devam ser projetados e desenvolvidos de forma que o maior número possível de usuários possa utilizá-los de forma adequada.

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, cerca de 24% da população do Brasil (em torno de 46 milhões de pessoas) possui algum tipo de impedimento visual, auditivo, motor ou cognitivo. Dessas pessoas, cerca de 12 milhões (6,7% da população) possuem impedimentos graves ou totais. A Internet, e a tecnologia como um todo, tem um potencial de inclusão social enorme, mas que ainda é pouco aproveitado. Ao não considerar práticas de acessibilidade durante o desenvolvimento de software, acaba-se por alienar uma grande parcela de usuários. Esses usuários passam a ter uma experiência dificultada ou completamente inacessível para obter informaçoes e realizar tarefas muitas vezes essenciais.

Uma pesquisa realizada em 2020 pela organização WebAIM (Web accessibility in mind) analisou o nível de acessibilidade de 1 milhão das páginas iniciais mais visitadas da Web. Os resultados indicaram que 98% das páginas apresentava falhas de acessibilidade, com mais de 60 milhões de erros detectados! A grande maioria desses erros possui soluções simples, mas que já reduziriam grandes barreiras de uso.

Vale destacar que esses erros correspondem a uma pequena parcela de falhas que pode ser identificada por ferramentas de análise automática, o que pode indicar que a situação real é ainda mais grave.

Recursos Importantes

O padrão mais importante relacionado à Acessibilidade Digital é o WCAG (sigla para Web Content Accessibility Guidelines, ou Diretrizes para Conteúdo Acessível da Web). Ele é organizado pela Web Accessibility Initiative (WAI), uma iniciativa que faz parte do consórcio que regulamenta a própria Web, o W3C. O WCAG apresenta recomendações reconhecidas internacionalmente para o desenvolvimento de websites acessíveis, e a conformidade com suas diretrizes é uma forma comum de se avaliar a acessibilidade de uma página.

As diretrizes são dispostas dentro de 4 princípios básicos. Esses princípios consideram que o conteúdo da Web deve ser:

  • Perceptível - o conteúdo de uma página deve ser apresentado de tal forma que os usuários consigam percebê-lo através de seus sentidos, seja visualmente, sonoramente, ou por tato;
  • Operável - os usuários devem ser capazes de navegar e interagir com a interface;
  • Compreensível - tanto as informações transmitidas quanto a estrutura da interface devem ser claramente compreendidas pelos usuários, e
  • Robusta - o conteúdo é compatível com várias tecnologias, e é capaz de continuar acessível através de evoluções dessas tecnologias.

Esses princípios são complementares, e a acessibilidade de uma página depende de todos eles. Para cada princípio o WCAG apresenta critérios de sucesso, que devem ser cumpridos para se obter um nível de conformidade com as diretrizes.

A conformidade com o WCAG é definida em 3 níveis, A, AA e AAA. De forma geral, a maioria dos sites deveria almejar o nível AA. Vale destacar ainda que alcançar um desses níveis de conformidade não garante a acessibilidade de sua página, embora seja um passo na direção certa.